Em 2010, a Confederação Brasileira de Futebol unificou as conquistas da Taça Brasil (1959-67), do Torneio do Campeões Estaduais (Ex-Taça Brasil de 1968) e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa (Robertão ou Taça de Prata 1967-1970) ao Campeonato Brasileiro, abrindo precedentes mediante a história e jurisprudências mediante ao direito para que outros títulos pudessem ser revisados, o que está acontecendo com o Torneio Norte-Nordeste, também chamado pela Revista Placar de "Brasileirão do Norte", disputado entre 1968 e 1970, nos moldes igualitários ao Robertão como finalidade, equidade geográfica, divisão nacional na disputa, integração nacional regionalizada, direito via regulamento, critérios técnicos, paralelismo e tantos outros pontos, tudo sustentado por oficialização, profissionalismo de regras e pareceres e controles federativos e confederativos.
O estudo do Brasileirão do Norte é um antropologia que começou em 2010 e finalizou-se em 2013, com trabalhos de divulgação e questionamento dos jornalistas Cassio Zirpoli e Mateus Schuler, voltando à tona em fevereiro de 2022 com o pesquisador Lucas Barcelos, que meses depois formou um Grupo de Trabalho em trio com outros dois pesquisadores, Ewerson Vasconcelos e Mauro Bastos. Esse trabalho foi guiado por pesquisas que contém mais de 400 arquivos entre documentos oficiais como regulamentos, atas, boletins e anuários da CBD e matérias de jornais de todas as regiões do país, tudo isso sustentando o pleito em cima de tudo que as comissões Técnica, Juridica e Histórica da CBF pedem, formando um dossiê que contém respostas para tudo que alguém possa perguntar, além de dispor com guias e consultas de especialistas como Antônio Carlos Napoleão (CBF), Caio Medauar (Federação Paulista de Futebol), Odir Cunha (jornalista, historiador e autor do dossiê de 2010), André Cavalcante (vice-presidente da Federação Paraense), Felipy Chaves (pesquisador do Clube do Remo), Guilherme Gomes (pesquisador independente do Sport Club Internacional) e membros do Centro Atleticano de Memória (CAM), órgão oficial do Atlético Mineiro, como Augusto Albertini. Sport, campeão de 1968, Ceará (1969) e Fortaleza (1970), acataram todo esse processo de estudo, análise e aprofundamento, institucionalizando o projeto e protocolando na CBF a solicitação para que o Brasileirão do Norte volte a ter o mesmo status original de equidade de finalidade e integração nacional do Robertão, o que foi desde 1968 até 2010, e agora, anos depois, voltar a ter esse valor e status genuíno e natural, tendo consequência de também ser unificado ao Campeonato Brasileiro.
Para conhecer mais sobre o pleito do Brasileirão do Norte, acesse o dossiê.
Dias depois da entrada do processo, Evandro Carvalho, presidente da Federação Pernambucana de Futebol, afirmou que o Torneio Hexagonal do Norte de 1967 "será mais um titulo nacional para o Santa Cruz", indicando que a competição será unificada ao Campeonato Brasileiro, numa pegada de direito igualitário ao Robertão de 1967 e as edições do Brasileirão do Norte, fazendo que veículos, jornalistas, influencers e torcedores tracem correlações amparadas pelo senso comum que vai muito contra a cientificidade e seriedade de um pleito, chegando ao ponto de que nenhuma dessas vias busque a base de qualquer solicitação: a oficialidade e profissionalismo. E o blog traz algumas informações que grande parte midiática não busca e que há chances de até mesmo a CBF não saber e gerar o parecer do pleito sem nunca ter ciência.
O trabalho do Hexagonal de 1967 começou com Lucas Barcelos, quando ainda em 2022, levou a pauta para Constantino Júnior, então presidente da Liga do Nordeste, em uma das tantas reuniões online que o incansável e competente dirigente realizava por dia. Nos trabalhos para contextualizar o Brasileirão do Norte, era necessário entender todo o antes, desde a primeira competição nacional (1920) e a primeira competição nacional profissional (1937), assim como tudo que veio depois de 1970. Ainda com poucas informações, a ideia era realizar um estudo aprofundado como 1967, o que fez o pesquisador levar essa indicação já com algumas documentações para o ex-dirigente do Santa Cruz, todavia, em paralelo a isso, foi realizada também análises e consultas com líderes como Odir Cunha e Augusto Albertini, especialistas envolvidos diretamente nas unificações de 2010 e na de 2023 (Torneio dos Campeões da FBF de 1937) e de acordo com todos os argumentos da própria CBF relatados pelos líderes, o Hexagonal não se encaixaria por motivos que serão apresentados nesta matéria, além de que Napoleão, membro da CBF, também afirmou que "certames criados por clubes ou empresários não são aceitos". Por esses motivos, o grupo de estudo do Brasileirão do Norte deu-se a temporada de 1967 como encerrada.
O TORNEIO HEXAGONAL DO NORTE DE 1967
A HISTÓRIA
Em 1966, o Náutico junto com a Federação Pernambucana criaram o Torneio dos Campeões da Taça Norte, que tinha finalidade de reunir os campeões da Taça Norte (competição inter-regional oficial da CBD) para criar um calendário interestadual a grandes clubes de grandes centros do Norte-Nordeste para além da Taça Brasil, que indicava apenas o campeão estadual de cada estado, a competição foi oficial, profissional e legalizada, além de seguir critérios técnicos e ser tratada pela imprensa como "Pequena Taça Brasil". A competição, que teve o corpo de uma Supercopa, foi em pontos corridos envolvendo as cidades de Fortaleza, Recife e Salvador, sendo um marco logístico e técnico, impulsionando o financeiro de clubes, poder público e comércio local. O Náutico venceu e junto com os outros representantes, idealizava a possibilidade de ter novas edições em anos seguintes, caso novos clubes vencessem a Taça Norte, o que não aconteceu, e assim, não ocorrendo nenhum outro certame criterioso e oficial da mesma finalidade. Inspirado nessa competição e aproveitando a não realização da segunda edição da Pequena Taça Brasil, o empresário Hélio Pinto teve a ideia de criar uma competição de cunho comercial com clubes de apelo popular e de cidades potências no Norte e Nordeste, assim, criou o Hexagonal do Norte de 1967.
Jornal traz a ligação entre o Torneio dos Campeões da Copa Norte de 1966 com o Hexagonal 1967
Diário de Pernambuco (PE), 11 de Março de 1967
Diário de Pernambuco (PE), 11 de Março de 1967
A FINALIDADE
A competição teve uma finalidade comercial, sem envolvimento em seguir geografia profissional e filiada à CBD dos estados do Norte e Nordeste, com o intuito de reunir o máximo de clubes de tradição e apelo popular para se enfrentarem nos principais estádios dos principais estados socioeconômicos. A ideia de Hélio Pinto era que o Náutico também atuasse, mas assim como os clubes baianos, já existiam outros projetos econômicos, como exemplo, excursões fora da região e do país. Sem entrar no calendário da FPF e da CBD, a competição envolveu-se em planejamento de datas em meio aos estaduais e à Taça Brasil, assim, os clubes podendo utilizar a competição também para dar ritmo ao elenco. Na época, era permitida apenas 2 substituições por jogo em competições oficiais e profissionais e no Hexagonal foi permitida substituições livres e também com jogadores sendo substituídos voltando a campo.
Matéria do jornal traz as informações de que o torneio foi criado e organizado pelo empresário Hélio Pinto, que contou a ajuda de federações estaduais que disponibilizaram alguns de seus árbitros
Diário de Pernambuco, 11 de março de 1967
Diário de Pernambuco, 11 de março de 1967
Odir Cunha, autor do dossiês das unificações em 2010, em reportagem para a SporTV na cerimônia da unificação, na sede da CBF, frisou algumas informações:
"Todos os clubes brasileiros tiveram a oportunidade de ganhar a Taça Brasil através do campeonato estadual, não houve nenhuma injustiça. Então das muitas críticas que nós vimos e vemos, citaram como é que pode o Siderúrgica representar Minas Gerais ou Comercial representar o Paraná? Ora, Siderúrgica superou Cruzeiro, Atlético e América. E nada mais justo do que o Siderúrgica representar Minas Gerais, isso mostra, provava lisura da competição, a ética que na Taça Brasil foi levada ao extremo. Nenhum time que não fosse campeão estadual participou da Taça Brasil, a não ser que o campeão estadual fosse campeão da Taça Brasil, que dava vaga ao vice-campeão daquele estado."
"Não importa número de participantes, nome, fórmula de disputa, nível técnico nem é tão importante, o importante é a finalidade."
A fala de Odir traz os pesos da finalidade e do respeito geográfico. A competição não pode nem mesmo ser encarada como um inter-regional do Norte e Nordeste, pois além de não seguir um critério técnico naturalmente, não seguiu a geografia do "eixo Norte" do país, fugindo da finalidade. Ali, em 1967, o mapa profissional e de filiação à CBD era constituído por AL, BA, CE, MA, PA, PB, PE, PI, RN e SE, estados que tiveram representantes da Taça Brasil daquele ano e mais da metade ausente do certame amistoso de Hélio Pinto.
OS PLANOS COMERCIAIS DE HÉLIO PINTO
O Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1967, que foi o Torneio Rio-São Paulo com convidados de MG, PR e RS foi a integração inter-regional nas regiões Sul e Sudeste e o empresário Hélio Pinto junto ao Diário de Pernambuco articulou uma possível disputa entre o campeão de cada competição na cidade do Recife para elevar ainda mais o planejamento comercial. Mas o planejamento não foi à frente por diversos motivos, como o choque de ideias comerciais, logísticas e da própria finalidade, visto que seria o cruzamento de uma competição não oficial, não profissional, não licenciada por federação e criada, idealizada e comandada por um empresário diante de uma competição oficial, profissional, criada pelas federações de Guanabara e Rio de Janeiro e que constava no calendário de competições interestaduais da CBD. O empresário era um grande articulador de excursões comerciais de clubes fora do Nordeste ao Nordeste. Ainda em 1966/67, Hélio buscou a possibilidade de jogos do Cruzeiro no Nordeste, visto que o clube mineiro foi o campeão da Taça Brasil de 1966 sobre o Santos de Pelé e criou um apelo comercial. Também tentou articular a vinda do Flamengo, que não estava satisfeito com a Taça Brasil e também da seleção húngara.
Jornal dos Sports (RJ): 14 de Abril de 1967
AMISTOSOS
A imprensa norte-nordestina, liderada pelo Diário de Pernambuco, o principal veículo de comunicação das regiões, anunciava as arbitragens que apitariam os, veja só, "amistoso" pelo Torneio Hexagonal, além de realizar uma matéria especial sobre a pré-temporada antes do início do Campeonato Pernambucano daquele ano, listando amistosos como o Hexagonal e o quadrangular (que na verdade foi um pentagonal) entre Náutico, Santa Cruz e Sport com os paulistas Comercial e Ferroviário. Muitos outros jornais de outros estados também destacavam a finalidade amistosa do torneio.
Jornal traz a informação da partida amistosa entre Santa x Paysandu, pelo Hexagonal
Diário de Pernambuco (PE), 11 de fevereiro de 1967
Diário de Pernambuco (PE), 11 de fevereiro de 1967
A imprensa destaca a pré-temporada de 1967 em Pernambuco, citando a promoção de "amistosos", listando o Hexagonal e o Pentagonal do trio de ferro com o Ferroviário/SP e Comercial/SP
Diário de Pernambuco (PE), 13 de maio de 1967
Diário de Pernambuco (PE), 13 de maio de 1967
Imprensa potiguar destaca os "amistosos" do Torneio Hexagonal
Diário de Natal (RN), 20 de fevereiro de 1967
Diário de Natal (RN), 20 de fevereiro de 1967
NÃO PROFISSIONAL (REGRAS DE AMADORISMO)
Além de uma competição não oficial (não listada no calendário federativo) e ser um torneio que, como Odir Cunha diz, "pirata", ou seja, organizado e gerido por um empresário e não por duas ou mais federações ou confederação, também se trata de uma disputa não profissional, com regras amadoras, ficando explícito em três detalhes: (1) não seguir a regra oficial de substituições na época, onde era permitida apenas duas substituições comuns e quatro totais, sendo as duas substituições comuns e possibilidade de 1 substituição a mais em caso atípico e a do goleiro, (2) o jogador que foi substituído, poderia entrar novamente para disputar a partida e (3) jogador expulso poderia ser utilizado na partida seguinte.
Era comum haver amistosos entre seleções estaduais, clubes e seleções nacionais com números de substituições extrapolados, o que já faria ser algo fora do padrão a ser considerado, fugindo das regras da CBD, Conmebol e FIFA, que seguiam a IFAB - International Football Association Board (IFAB), gestora do "livro de regras" LOTG - Laws of the Game, mas para além disso, ainda ocorreu a reutilização de um jogador já substituído, explicando ainda mais a alegria do Diário de Pernambuco em ver que o trio de ferro do Recife começaria o Pernambucano com elencos rodados.
A título de informação, em 1968, o Náutico foi punido na Libertadores de 1968 por ter feito uma substituição a mais e assim perdeu os pontos que lhe classificaria para o mata-mata.

Imprensa carioca destaca a regra de 2 substituições por jogo
Jornal do Brasil (RJ), 29 de março de 1968
Diário da Tarde (PR), 14 de agosto de 1968

Crônica catarinense em 1966 divulgando a lógica resolução da FIFA sobre substituições, não permitindo a volta de jogadores substituídos
A Nação (SC), 12 de março de 1966
Contra o Paysandu, o Sport realizou substituições a mais do que o permitido e reutilizou o lateral Baixa, que saiu para a entrada de Aguiar e depois entrou na vaga de Ti Carlos
Diário de Pernambuco (PE), 30 de março de 1967
Diário de Pernambuco (PE), 30 de março de 1967
Diante do Santa Cruz, o Ceará reutilizou Zito Ferreira, que saiu para a entrada de Ribeirinho e posteriormente retornou na vaga de Fernando Carlos
Diário de Pernambuco (PE), 28 de março de 1967
Diário de Pernambuco (PE), 28 de março de 1967
Na partida entre Remo x Sport, pelo leão nordestino, Vado foi substituído por Ricardo e depois entrou no lugar de César
Diário de Pernambuco (PE), 28 de março de 1967
Santa Cruz e Remo realizaram 4 substituições cada no confronto entre si
Diário de Pernambuco (PE), 21 de fevereiro de 1967
Diário de Pernambuco (PE), 21 de fevereiro de 1967
Mais uma vez mostrando nenhuma linha de paralelismo, o Robertão, que teve regulamento de normas espelhadas nas 4 edições, entre 1967 e 1970, mantinha seu profissionalismo nas regras de substituição, onde o seu 16º Artigo dizia que os jogadores "expulsos não poderão jogar na nova (próxima) partida", linhagem de diferença extrema entre o amadorismo e o profissionalismo oficial. Também é trazido no regulamento que a CBD dizia "fazer cumprir os mandamentos originários dos organismos internacionais", fazendo jus as resoluções da FIFA, algo extremamente desigual do Hexagonal.

Regulamento do Robertão cita sua linhagem junto a FIFA
Diário de Pernambuco (PE), 03 de setembro de 1969
A finalidade amistosa e corpo não profissional eleva-se ainda mais com a informação de que as regras de expulsões não eram seguidas. Na partida Santa Cruz 9x0 Remo em 19 de fevereiro, os atletas remistas Cláudio e Edilson foram expulsos e dois dias depois, em 21 de fevereiro, na rodada seguinte, no jogo Sport 1x4 Remo, ambos foram titulares, jogando por todos 90 minutos.
Imprensa informando das expulsões de Cláudio e Edilson, atletas do Remo, na partida contra o Santa Cruz
Diário de Pernambuco (PE), 21 de fevereiro de 1967
Diário de Pernambuco (PE), 21 de fevereiro de 1967
Expulsos contra o Santa, Cláudio e Edilson foram titulares contra o Sport, jogando por todos 90 minutos. O Leão da Ilha teve seu jogador Ricardo dando lugar a Canhoteiro e depois entrando no lugar de Renê
Diário de Pernambuco (PE), 22 de fevereiro de 1967
Não existia paralelo algum entre o Robertão e o Hexagonal. A imprensa paranaense divulgava o regulamento daquele que seria o Novo Rio-São Paulo, onde as quatro substituições totais foram respeitadas (as 2 substituições comuns, 1 em questão atípica + a do goleiro), também respeitava as resoluções da FIFA, proibindo atleta substituído entrar em campo e além disso, as infrações teriam penalidades de acordo com o Código Brasileiro de Futebol, totalmente diferente do Hexagonal amistoso e amador, onde atleta expulso podia atuar no jogo seguinte. O regulamento do Robertão, assim como da Taça Brasil e Campeonatos Estaduais eram vinculados com o Conselho Brasileiro de Futebol (CBF).
Imprensa paulista destaca as 4 substituições totais (3 de linha, sendo 1 por ocasião atípica + goleiro)
A Tribuna (SP), 07 de março de 1967
A Tribuna (SP), 07 de março de 1967
Diário do Paraná (PR), 05 de março de 1967

Regulamento do Robertão de 1970, sendo o espelho de todas as edições
Diário de Pernambuco (PE), 03 de setembro de 1969
Enquanto isso, em 1968 ocorreu o paralelismo entre o Robertão e o Brasileirão do Norte, com a CBD criando o Quadro Nacional de Arbitragem, o Calendário Nacional Unificado e a integração do Torneio dos Campeões Brasileiros, tudo isso sendo podendo ser conferido gratuitamente no dossiê do Brasileiro do Norte.
Até aqui, temos as comprovações que o Torneio Hexagonal do Norte de 1967 foi amistoso, não teve calendário oficial e não entrou no calendário do anuário oficial federativo ou confederativo, foi "pirata", sendo organizado, instituído e gerido por um empresário, teve cunho comercial, não era profissional, seguindo esquemas de amadorismo em questões de números de substituições, entradas de jogadores já substituídos e utilização de jogadores expulsos.
SEM REGULAMENTO?
Tudo e qualquer peça legal e oficial precisa de manual ou regulamento, que serve como constituição do tal e até aqui, nunca foi encontrado o regulamento desses amistosos amadores entre 6 clubes organizado por Hélio Pinto. Sabe-se que o Hexagonal não seguia regras oficiais, mas também fica sabendo-se que o próprio não tinha regras. Sem regulamento, não existe rumo de uma competição. Os campeonatos oficiais no futebol brasileiro possuem regulamento desde o período do amadorismo, entre as décadas de 1900 e 1930 e na década de 1960, quando o futebol no Brasil já atingia 3 décadas de profissionalismo era ainda mais tomado por regras.
A seguir, retratos de como o regulamento é essencial e presente desde a era amadora do futebol brasileiro, em diversos campeonatos e ligas:
O estadual carioca de 1907 sendo constituído através da discussão para formação do seu regulamento
O Século (RJ), 28 de março de 1907
O Século (RJ), 28 de março de 1907
Em 1909, na primeira década da história do futebol brasileiro, o Campeonato Carioca, na época chamado de "Liga Metropolitana" destacava a punição ao América através do seu regulamento
O Paiz (RJ), 12 de maio de 1909
O Paiz (RJ), 12 de maio de 1909
Comissão da Federação Maranhense aprovando o jogo entre Vasco x Brasil pelo Campeonato Maranhense, contando os 2 pontos ao Vasco, além de punir o "segundo time" (reservas) do Vasco por infringirem o 39º artigo do regulamento
Pacotilha (MA), 19 de junho de 1919
Pacotilha (MA), 19 de junho de 1919
Diário de Pernambuco destaca mudanças do regulamento do Brasileiro de Seleções
Diário de Pernambuco (PE), 19 de junho de 1925
Diário de Pernambuco (PE), 19 de junho de 1925
Não existe uma competição minimamente legal sem um regulamento, é algo básico, é base para sua existência e para se ter um termômetro do tamanho de sua essencialidade, podemos usar cenários do próprio Brasileirão do Norte como exemplos de ações tomadas em cima de suas as regras. Na época, mesmo com todas as regras oficiais de inscrição e uso de atletas, substituições e tantos outros fatores, por uma questão transição de regras, cultural e de comunicação, era possível que jogadores, treinadores e dirigentes realizassem atos fora das resoluções das regras da FIFA e do regulamento da competição, mas a questão não está na não realização de atos não-regulamentares, mas sim em se ocorrer casos assim, existir punição e a lei do torneio ficar sempre acima de todos. E foi o que aconteceu, algo não ocorrido no Hexagonal. Vejamos alguns artigos do Brasileirão do Norte, oficializado pela CBD em 1968:
- Artigo 16: Das decisões do Departamento de Futebol caberá recurso, dentro de cinco (5) dias, contados da ciência da decisão, para a Diretoria da C.B.D.
- Artigo 25: Os jogos serão disputados de acordo com as regras oficiais adotadas pela C.B.D. e Resoluções dela emanadas
- Artigo 26: Todos os jogos do Torneio serão superintendidos pela C.B.D, por intermédio as Federações filiadas ou por um Delegado previamente designado
- Artigo 31: Quando a impugnação houver sido apresentada perante a Federação, caberá a esta providenciar o respectivo encaminhamento dentro de 24 horas à C.B.D.
- Artigo 32: Só poderão disputar as partidas do Torneio atletas com condição legal das associações (federações estaduais) disputantes, devendo ser fornecida uma relação completa, datilografada, de todos os inscritos, bem como das modificações que venham ser feitas nessa relação
- § 4. Cada associação poderá substituir, durante cada partida, dois atletas, sendo vedada a substituição de atleta expulso pelo árbitro ou volta de atleta já substituído
- Artigo 35: As súmulas das partidas disputadas deverão ser remetidas à C.B.D. dentro de 24 horas após a realização das mesmas
- Artigo 37: Caberá ao Tribunal Especial da C.B.D julgar as infrações às regras, regulamentos e as faltas disciplinares, na forma da legislação vigente
- Artigo 42: Os casos omissos e as dúvidas que se suscitarem quanto à interpretação do presente Regulamento serão dirimidos pela Diretoria da C.B.D
Confira o regulamento e ata oficial do Brasileirão do Norte:
A CBD deixava claro que o regulamento era soberano e que existia o Tribunal Especial da CBD e a Diretoria da CBD para julgar infrações às regras, além disso, de que recebia as súmulas das partidas em até 24 horas após os jogos, ou seja, em todos os casos de indisciplina, omissão ou infração, a entidade máxima tinha ciência, todavia as impugnações deviam ser apresentadas perante as Federações Estaduais e encaminhadas dentro de 24 horas à CBD após o término na partida. Não seria a CBD que abriria o processo, o Tribunal e sua Diretoria estavam à disposição de reger, julgar e punir, mas não de fiscalizar. Essas ações foram assinadas por todas federações envolvidas, o que fez a possibilidade do cenário em que uma equipe realizar atos como substituições a mais ou atleta substituído voltar a campo e o adversário e sua federação em que é filiado não protocolar o pedido de impugnação.
A entidade máxima do futebol brasileiro ao criar um regulamento colocando o seu Torneio dentro dos padrões oficiais da FIFA, escalando a responsabilidade fiscal dos atos fora das regras para as federações, que assinam e juridicamente concordam que em caso de ser lesada e não agir junto ao Tribunal da CBD em 24 horas estará tomando pra si a responsabilidade do prosseguimento da competição mesmo com seu adversário infringindo a regra. Isso fez que a CBD e o certame tivessem égide e legalidade perante a FIFA, mesmo em caso fora da regra fosse ocorrido. O que faria um ato falho ser de responsabilidade da CBD, tornando a saúde do Torneio inviabilizada, seria caso um clube acionasse o Tribunal e a CBD tomasse decisões contrárias ao assinado no regulamento e das regras de Conmebol e FIFA. O que não aconteceu.
Ai está a importante de um regulamento, dando a honestidade legal e integridade nos padrões técnicos de um campeonato, o que inexiste no Hexagonal. Quem julgou os atos falhos do Hexagonal? Qual respaldo técnico e jurídico nas falhas? Como um torneio amistoso e amador dessa risca pode tornar-se um título oficial?
Alguns exemplos dos trabalhos de análises, julgamentos e aplicação de regras da CBD perante seu Tribunal e Diretoria no Brasileirão do Norte:
O Calouros do Ar/CE, teve parecer da Diretoria da CBD para abrir processo contra o Sport pelo uso indevido do atleta Valter
Diário de Pernambuco (PE), 20 de dezembro de 1968
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Anuário oficial da CBD destaca jogos confirmados através da decisão do Tribunal Jurídico da CBD, seguido o regulamento da competição
Fonte: Confederação Brasileira de Futebol
Enviado por Antônio Carlos Napoleão, gerente de Memória e Acervo da CBF

O Santa Cruz criando estratégias em seu treinamento pela impossibilidade de utilizar um atleta julgado pelo Tribunal da CBD, o detalhe é que não se sabia ainda se ele seria suspenso ou não, mas o clube, de forma preventiva, utilizou outro no treino
Diário de Pernambuco (PE), 01 de novembro de 1969

O Tribunal da CBD anulou a partida entre Santa Cruz x Sergipe pelo Brasileirão do Norte, sendo informando também a remarcação
Jornal dos Sports (RJ), 29 de novembro de 1968

Enquanto a CBD recebia a denúncia da Tuna Luso sobre seu jogo contra o Remo, a entidade indiciou o técnico Duque e o médico Fernando Barbosa, do Santa Cruz
Jornal do Commercio (AM), 19 de dezembro de 1970
Decisões do Tribunal e da Diretoria da CBD sobre os seus 3 torneios paralelos de 1968, destacando multas para alguns e absolvições de outros no Brasileirão do Norte
Jornal dos Sports (RJ), 19 de dezembro de 1968
Essas ações meio ao regulamento e toda fase de novas regras mostram a essencialidade de um regulamento e a lisura da CBD para suas competições, diferente do Hexagonal, que além de não seguir regras externas, não teve regras internas, mas obviamente não precisava, pois tratava-se apenas de um torneio amistoso de corpo amador para fortalecer a pré-temporada.
E o Torneio Roberto Gomes Pedrosa? Também tinha interferência de um Conselho ou Tribunal oficial para deixar todo o seu sistema legalizado? Sim! A competição que foi evoluindo de Rio-São Paulo (1933-1966) > Robertão (1967) > Taça de Prata/Robertão (1968-1970) sempre contou com a CBD como sustentáculo para manter-se dentro dos padrões das regras do futebol, antes, durante e depois de 1967, diferente de competições amistosas, como o Torneio Hexagonal do Norte, que não precisaria nem seguir conceitos profissionais por ser junção de jogos de pré-temporada.

CBD e clubes paulistas analisam se o Tribunal Especial da CBD continuará sendo o julgador das penalidades do Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1960, ou se criará um Tribunal Nacional específico para competições interestaduais
Correio da Manhã (RJ), 16 de março de 1960

O processo de renda da partida Feroviário/PR 2x4 Palmeiras pelo Robertão de 1967 foi denunciado à CBD
O Jornal (RJ), 29 de março de 1967

O polêmico Almir, jogador do Flamengo, só foi liberado a atuar no Robertão de 1967 após julgamento do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Na mesma matéria, é informado que a CBD ampliou a tabela do Torneio, mostrando que a entidade nacional também organizou a edição do RGP de 1967
Correio da Manhã (RJ), 20 de janeiro de 1967
NAO FEDERATIVO
Clubes, atletas, estádios, veículos de comunicação e tudo que é profissional, para atuar de maneira formal e legal, precisa ter registro e parecer de federações, sendo registrado, mas em amistosos e principalmente em movimentos não profissionais, é comum ocorrer atos amadores e o Hexagonal de 1967 registrou uma "overdose" de amadorismo.
Na partida entre Sport x Paysandu, o papão simplesmente utilizou jogadores do Central e do Náutico para escalar o seu time. Isso mesmo! O torneio amistoso e não profissional aproveitou que ocorreu no período de pré-temporada para que os clubes realizassem experimentos estilo "test drive" para saber se há possibilidade de negócios em breve. Todo jogador precisa está inscrito no clube, em sua federação estadual e confederação nacional e dentro dos padrões legais para poder atuar, mas neste caso, a competição sem ligação legalizada com federações teve jogadores inscritos na Federação Pernambucana de Desportos podendo atuar em time filiado à Federação Paraense de Desportos. Nido, atleta do Central e Toinho, do Náutico, jogaram pelo Paysandu no amistoso contra o Sport.
Em 1961, a Federação Piauiense de Futebol deu entrada na CBD para o profissionalismo e desde a visita de João Havelange, presidente da CBD, em 1960, até a estreia do campeão piauiense na Taça Brasil, em 1962, sendo a primeira competição oficial que um clube piauiense atuou, a FPF-PI foi realizando atos para mostrar sua busca pelo profissionalismo, ações essas que são didáticas no contexto do Hexagonal. Naquele ano, a FPF-PI criou o Torneio Interestadual da FPF, reunindo, criteriosamente, os melhores clubes do estaduais de Piauiense e Maranhense de 1960 e o maior campeão do Pernambucano. A competição não extrapolou o número máximo de substituições da cultura brasileira antes das resoluções da FIFA, teve sua tabela criada e gerida pela Federação filiada à FPF-PE, que era a sub-presidente da CBD e impulsionou a FPF-PI, que para dar continuidade ao projeto de profissionalização, foi seguindo normas, como

O Torneio Interestadual foi criado e gerido pela Federação Piauiense, assim como sua tabelaa
Pacotilha (MA), 20 de abril de 1961

A competição iniciou-se no dia 21 de abril e no dia 13 de abril, a Federação Piauiense acertou seu profissionalismo e mudança de nome, ficando padronizado com a CBD.
Diário de Notícias (RJ), 16 de abril de 1961

Federação Piauiense além da súmula, enviada ofício informativo à Federação Pernambucana, que era a sub-CBD do eixo Norte
Diário de Pernambuco (PE), 31 de maio de 1961
Agora profissional, a Federação Piauiense seguia normas do Conselho Nacional do Desportos, onde as Federações Estaduais deviam dar entrada na CBD com todas documentações profissionais para que a entidade nacional realizasse a transferência entre federações, para daí as mesmas realizarem as inscrições entre seus clubes filiados. Ocasião que não ocorreu no Hexagonal, onde o Paysandu utilizou atletas de outras instituições e registrados em outra federação.
Esse modelo amador do Hexagonal não tinha ligação alguma com o corpo legal da estrutura de todas as disputas do Torneio Roberto Gomes Pedrosa em todas suas edições, que não por acaso teve o aval das Comissões Técnica, Histórica e Jurídica da CBF em 2010 que reconheceram todas como o mesmo padrão para unificação. Na disputa da competição, o Flamengo chegou a entrar no Tribunal Especial da CBD pois o Corinthians utilizou o jogador Zé Maria sem está inscrito na Federação Paulista. Cenário completamente diferente do Hexagonal, onde dois jogadores inscritos na Federação Pernambucana e legalmente pertencidos a dois clubes, atuou num clube da Federação Paraense.
O Jornal (RJ), 09 de dezembro de 1970
A legalização de atletas, jogos, calendário, filiações, tabelas, regulamentos, processos dos tribunais de justiça e outros fatores para ser reconhecida e garantidas como oficiais, precisam constar no Relatório Anuário da CBD. O gerente de Memória e Acervo da CBF, Antônio Carlos Napoleão, enviou para os pesquisadores Ewerson Vasconcelos e Mauro Bastos, relatórios das competições nacionais regionalizadas, constando no eixo Norte do Brasil apenas o Brasileirão do Norte (1968, 1969 e 1970) nos documentos oficiais da CBD e CBF, com ausência do Torneio Hexagonal do Norte de 1967, que por todos motivos já abordados, não consta.
A seguir, trechos dos Relatórios Anuários da CBD envolvendo competições nacionais de disputa regionalizada do Norte/Nordeste na década de 1960:
Anuário 1968 da CBD põe a sequência dos relatórios do Robertão e do Brasileirão do Norte
Fonte: Confederação Brasileira de Futebol
Enviado por Antônio Carlos Napoleão, gerente de Memória e Acervo da CBF
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Anuário 1968 da CBD consta com lista de jogadores inscritos e legalizados, tabelas, classificações, datas, jogos e outros detalhes
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As informações das inscrições e legalizações dos atletas são divididas por região, grupos, federações e clubes, numa padronização profissional
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Além de todas informações técnicas, os anuários constam com informações dos campeões oficiais e legalizados pela CBD
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Informações do Torneio Centro-Sul, segue na sequência após o Brasileirão do Norte
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Anuário 1969 listando todas informações regulamentares do Brasileirão do Norte
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Anuário 1969 traçando a sequência de informações do Robertão com o Brasileirão do Norte
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Anuário 1969 traz informações do Brasileirão do Norte em conjunto com informativos e cartas do Departamento de Coordenação Internacional e da Conmebol, o que mostra a lisura do cenário
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1 folha separa o Relatório da final da Copa do Mundo que deu o tri mundial ao Brasil do Brasileirão do Norte no Anuário Oficial
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O Anuário 1970 detalhou 3 competições em sequência: Copa do Mundo, Brasileirão do Norte e Robertão
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Os Anuários são documentos comprobatórios sobre toda a franqueza das competições, não tendo o Hexagonal do Norte de 1967 presente, por ser amistoso.
SEM CALENDÁRIO OFICIAL
A temporada oficial de Pernambuco começou em junho, após meses de ações oficiais como excursões e Torneio Início, antes disso, triangulares, pentagonais e hexagonais amistosos existiam com datações aleatórias e em brechas, sem ter respaldo em calendários federativos, sendo posto inclusive abaixo de excursões, em ordem hierárquica e com o Torneio Hexagonal do Norte de 1967 não foi diferente.
O Bangu, do Rio de Janeiro, partiu para Belém para realizar amistosos antes do inicio do Campeonato Carioca e o clássico RePa pelo Hexagonal teve a possibilidade de mudança da data que havia sido estabelecida e foi mudada, assim, a luta de Hélio Pinto pra conseguir vagas era grande e tornava-se ainda mais com outros amistosos tendo preferências.
Diário de Pernambuco (PE), 28 de março de 1967
Jornal dos Sports (RJ), 01 de março de 1967
Já o Robertão, em seu regulamento espelhado das temporadas 1967, 1968, 1969 e 1970, deixava claro que as datas de seus jogos eram o topo da hierarquia nacional, até mesmo acima dos campeonatos estaduais, também tratados na mídia da época como "campeonatos regionais". Não existe paralelismo e busca por isonomia entre um torneio amistoso e amador que perdia datas por amistosos de outros clubes e entre um torneio oficial e profissional que seus jogos prevaleceriam sobre até mesmo os estaduais, que era o maior acervo de status esportivo na ocasião.
Enquanto o Hexagonal do Norte de 1967 estava tendo seus amistosos disputados desde 12 de fevereiro, os clubes pernambucanos articularam junto com a Federação Pernambucana e com a CBD a criação do calendário oficial da temporada de 1967, isso em 03 de março. O que exibe ainda mais como o Hexagonal amistoso e amador não estava registrado em algum calendário federativo.
Na mesma matéria do Diário de Pernambuco, o jornal traz a única relação que a FPD teve sobre o Robertão, que era com a tentativa falhada de Rubem Moreira pôr um time do estado no Torneio Rio-São Paulo ampliado. A CBD prometeu, como consolo, uma excursão da Seleção Pernambucana na África e na Ásia.
Diário de Pernambuco (PE), 03 de março de 1967
Daí você se pergunta: mas o que a CBD tinha com o Robertão de 1967 se ele era comandado pelas Federações de Guabanara e São Paulo? Pois bem, a CBD era a confederação de todos os esportes de terra e mar e o que hoje é a CBF, entre 1914 e 1979 era um departamento da CBD, uma pasta, e com a alta demanda para o presidente João Havelange, ele definiu subs-presidências regionais da CBD, sendo Pernambuco tendo o aval de "CBD do Norte" e a Federação Carioca como a "CBD do Sul", isso desde a década de 1950, com o advogado, atleta e botafoguense Rivadávia Corrêa Meyer sendo o representante da CBD no eixo Sul, assim, uma competição chancelada por ele, presidente da Federação Carioca, assim como por Rubem Moreira, presidente da Federação Pernambucana, tem o aval automático da CBD.
Ainda em 1967, quando discutia-se a segunda edição do Robertão, o Jornal dos Sports, o mais tradicional de cobertura esportiva do país, informava que as mudanças de participações do Robertão teria que ter o aval da CBD e das Federações da Guanabara e de São Paulo, pois era exigido um "pronunciamento unânime dessas três entidade que o criaram", deixando nítido que já na primeira edição do Robertão houve as mãos da CBD em sua chancela, oficialidade e reconhecimento, porém estando sendo organizando indiretamente pela entidade máxima e diretamente pelas duas principais federações estaduais.
Jornal dos Sports (RJ), 19 de novembro de 1967
Então, o argumento de que "aquilo ali não era organizado pela CBD e isso aqui também não era, então são paralelos e equivalentes" não é válido.
NÃO FOI EMBRIÃO DO BRASILEIRÃO DO NORTE
Muitos misturam os conceitos de "ideia" com "torneio". A UEFA quando criou a Champions League, foi uma inspiração ao Sul-Americano de 1948, a FIFA quando criou a Copa do Mundo, foi inspirado nas edições das disputas futebolísticas das Olimpíadas de 1924 e 1928 e nada disso quer dizer que um foi embrião do outro, mas sim colaborou na ideia, é o mesmo que acontece com o senso comum sobre o Hexagonal do Norte e o Brasileirão do Norte.
Quando Hélio Pinto criou o Hexagonal, foi com o intuito de gerar o mesmo torneio que o Náutico criou em 1966, mas sem critério técnico e totalmente voltado ao cunho comercial. Isso impulsionou para que as federações criassem movimentos para a possibilidade de ter uma competição oficial e chancelada pela confederação a nível Norte e Nordeste. A CBD em 1968 criou o Brasileirão do Norte, fazendo que muitos achem que o Hexagonal foi um embrião ou até mesmo a 2ª edição, mas diferente do olhar do senso comum, as documentações oficiais da CBD mostram o que é embrião de verdade e quando nasceu realmente o Brasileirão do Norte, originalmente em 1968.
Em 1968, a CBD passou a comandar o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, que foi apelidado de Robertão em 1967, por ser o Rio-São Paulo com clubes de outros estados. Assim, a entidade máxima do Brasil passou a chamá-lo oficialmente de Taça de Prata, mas no próprio boletim confederativo, a CBD exibe que a sua competição começou em 1967, mesmo não sendo diretamente iniciada por ela, mas indiretamente pelas federações filiadas. Fica claro que a CBD não se opõe a exibir a cronologia de competições mesmo que ela não tenha começado por suas mãos.
Assim como no Robertão, o Brasileirão de Norte também teve seu boletim e nele, a CBD deixa claro que o Torneio foi "instituído", sem dar margem para tratar algum outro torneio como linha embrionária.
Boletim da CBD em 1972
Fonte: divulgação/Dossiê de Odir Cunha, 2010
Boletim da CBD crava que o Brasileiro do Norte foi "instituído" pela mesma
Diário de Pernambuco (PE), 25 de Julho de 1968
Com essas documentações comprobatórias e percebendo a diferença de finalidade, vias legais e de participação e tudo mais que pode ser resumido em que uma competição era de pré-temporada de corpo amador e a outra era uma competição da CBD que tinha o intuito de posteriormente chegar a definir o campeão brasileiro e o representante do país na Libertadores, chega a ser um desvario traçar um paralelo entre elas.
A imprensa potiguar trouxe a informação de que as federações reuniram junto à CBD para a criação de um torneio estilo Robertão, que seria posteriormente o Brasileirão do Norte. Em momento algum foi citado uma linha embrionária, muito pelo contrário, foi informado que "O plano nasceu por ocasião da reunião de presidentes de federações", assim "nascendo a ideia de Rubem Moreira, da F.P.F.", que foi "recebida com geral agrado pelos dirigentes presentes" e que seria "no mesmo estilo do último Roberto Gomes Pedrosa". Ou seja, na linha de idealização, se for indicar um "embrião" do Brasileiro do Norte, seria o Robertão de 1967.
Diário de Natal (RN), 14 de setembro de 1967
A imprensa do Rio Grande do Norte também noticiava a criação do Torneio Norte-Nordeste em 1968, apelidando-o de "Robertinho", em referência ao paralelismo e diferença técnica com o Robertão. Nota-se o termo "cria", sendo a imprensa uma testemunha prática das documentações oficiais, que mostram que nem o Hexagonal amistoso foi embrião do Brasileirão do Norte e nem o Brasileirão do Norte de 1968 foi a segunda edição de um torneio existente.
O Poti (RN), 14 de janeiro de 1968
Perguntas pertinentes sobre o Torneio Hexagonal do Norte de 1967 | Como exercício, fugindo da subjetividade, partindo numa linha totalmente objetiva, encontrando-se respostas comprobatórias, documentais, oficiais sobre isso:
- Qual a sua finalidade de cunho esportivo?
- Onde existe um paralelismo com o Robertão?
- Qual critério técnico usado na formação dos participantes?
- Qual argumento que sustenta a linhagem nacionalizada da competição?
- O que dizia o regulamento da competição?
- Qual a sua linhagem profissional que foge do amadorismo?
- Qual a sua linhagem oficial que foge dos aspectos amistosos?
- Qual explicação legal pelo excesso de substituições?
- Quais eram os delegados das partidas do Hexagonal?
- Em caso de clubes se sentirem lesados, a quem deveriam recorrer e em até quanto tempo?
- Qual explicação legal para que jogadores de um time atuassem em outra equipe?
- Qual explicação legal para que jogadores de uma federação atuassem numa equipe de outra federação?
- Qual explicação legal para que jogadores expulsos atuassem normalmente na partida seguinte?
- Qual conselho técnico, fiscal e jurídico deu respaldo legal para jogos do Hexagonal e decisões do empresário?
- Por qual motivo todos clubes que perderam jogos para times que fugiram da regra profissional não fizeram ao menos uma reclamação?
- Por qual motivo jogos amistosos tomavam as datas do Hexagonal, diferente do que ocorrida no Robertão?
- Por qual motivo Santa Cruz e Sport, clubes participantes do Hexagonal, em momento simultâneo da disputa do Hexagonal, discutiram a criação do calendário oficial da temporada 1967 na Federação Pernambucana?
- Seguindo a regra básica do esporte já tradicional em 1967, qual era a Direção federativa do torneio?
- Qual documento prova que o Hexagonal foi embrião do Brasileirão do Norte?
- Por qual motivo a CBD lançou um boletim informando a criação Brasileirão do Norte, afirmando ser criação sua, sem ligação com o Hexagonal, diferente da Taça de Prata, em que a entidade afirmava que já havia uma disputa anterior?
- As Federações Estaduais e/ou a CBD receberam a lista dos atletas legalizados inscritos de cada time?
- As súmulas das partidas apresentam-se em qual Anuário confederativo?
- Qual explicação legal pela volta de atletas já substituídos?
- Como desmentir a imprensa que tratava o Hexagonal como amistoso?
- O Hexagonal está presente em algum anuário ou ata federativo ou confederativo?
O Torneio Hexagonal do Norte de 1967 não merece e não pode ser exposto ao ridículo como estão fazendo. Foi uma competição comercial que ajudou a divulgação de pré-temporadas, a rodagem de elencos, a testes de jogadores de outros times em possíveis negociações, em elevação de rivalidade interestadual e tantos outros fatores da sociedade esportiva, mas colocá-lo numa petição pra tornar-se título oficial, é fazer que um título importante da categoria amistosa passe a ganhar, na era atual, o status de maior excentricidade já solicitada por um clube em todas e quaisquer pleito de oficialização, reconhecimento, conhecimento, equiparação ou unificação.
Os jogadores, dirigentes e torcedores da época, assim como os clubes disputantes desde a época até atualmente, passando também pelos torcedores contemporâneos, em especial os dos Santa Cruz, clube do povo, centenário e de mais de 1 milhão de torcedores fiéis, merecem respeito. Respeitem a competição, ela tem o seu valor dentro de sua realidade não oficial, não profissional, amistosa e amadora. Não encaixem o circulo no quadrado. O que devia ser tratado como orgulho dentro de sua natureza, estão transformando num mar de chacota de rivais.
Se a CBF acatar esse pedido, abrirá precedente para aquela que seria a maior bagunça da história do futebol brasileiro, com quaisquer competição fora dos padrões básicos podendo ser reconhecido como título oficial, profissional e Campeonato Brasileiro. É hora de saber até onde vai a politicagem do futebol brasileiro e de medir a integridade analítica dos líderes do futebol nacional.





























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